quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hipocrisia

Sempre que penso em escola pública, várias palavras passam por minha cabeça e uma delas me faz pensar muito: a hipocrisia. A escola pública quanto organização é formada por um conjunto de regras e doutrinas que devem ser seguidas pelos alunos. Grande parte destas ordens parte da Secretaria de Educação. Uma delas proíbe alunos e professores de portar celular nas dependências da escola. Não questiono a ordem, aparelho celular dentro da sala de aula é intolerável, inadmissível. Mas o celular já faz parte da vida de todos. São multifuncionais: rádio, MP3, câmera... Um objeto que se tornou indispensável.
Penso sobre desorganização escolar, geralmente quando estou dentro de sala de aula. Às vezes meu pensamento é interrompido, o telefone vibra em meu bolso, uma mensagem, olho escondido para que nenhum aluno perceba. É minha mulher, a mensagem diz: - Te amo, estou com saudades. Eu não deveria receber a mensagem dentro da sala. É errado, mas ninguém se importa com isso. Pelos corredores da escola meus colegas falam sem culpa em seus aparelhos. O corpo diretivo também descumpre a regra.
Bateu. Intervalo. Corro em um canto escondido para ligar para minha mulher. De longe avisto uma meia dúzia de professores fumando. FUMANDO! DENTRO DA ESCOLA! PODE?
Assim fica difícil cobrar de nossos alunos quando a maioria de nós educadores não consegue cumprir as mais simples regras.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008










Muitas variáveis influenciam na desorganização escolar. O fim da estrutura familiar que reflete no comportamento de jovens e crianças, os péssimos salários dos professores da rede pública e a desmotivadora combinação: salas lotadas + condições de trabalho precárias.
Apesar disso, em minha opinião, nenhum fator é mais relevante que a direção escolar, ou melhor, a maneira que cada direção toma posse de seu cargo. Todo diretor ou diretora no Estado do Rio Grande do Sul é escolhido pelo voto. Voto de alunos, pais, funcionários e professores. Política dentro da escola não dá certo, só se for para politizar nossos jovens, mas isso nunca acontece. A política a que me refiro ocorre nos bastidores. É a política que defende o aluno indisciplinado e deixa o professor com as mãos atadas, frente à desobediência. É a política do voto. Para a direção um aluno não é aluno, ele é um voto. E esse aluno não tem pai e nem mãe e sim mais dois votos, que podem decidir a permanência de um diretor em seu cargo. E assim como profissional da educação me tornei refém do voto.
Engraçado! Eu votei em um governador, que deveria nomear um secretário de educação, e este nomear delegados e separá-los por região, e os mesmos deveriam escolher os diretores escolares, para que estes fossem subordinados a própria Secretaria e ao Governo do Estado.
Diretor de escola não é subordinado a ninguém. Foram eleitos pelos votos-aluno e votos-pais de alunos. Fazem de suas gestões “shows” de ingerências, abuso de autoridade e contribuição para o sucateamento do ensino público. Fazem da escola uma extensão de sua casa. Sentam-se na cadeira da direção e pensam:" -Essa é a minha escola." Beneficiam amigos, perseguem inimigos, torna o ambiente escolar o pior possível.
Mas por que eu não reclamo de tanta injustiça? Por que não exponho meus pensamentos para a direção da escola onde trabalho? Por que eu não coloco para fora tudo que machuca e abala minha estima?
Não sou covarde, nunca fui. Mas tenho uma filha que depende de mim e tenho uma mulher com quem divido as contas. Eu faço apenas o que posso, eu voto. Não como os votos-alunos, eu sou o voto-cidadão. Voto nos nossos governantes. Até hoje não deu certo, mas eu continuarei tentando, quem sabe um dia algum governante faça algo para mudar a educação.