
Muitas variáveis influenciam na desorganização escolar. O fim da estrutura familiar que reflete no comportamento de jovens e crianças, os péssimos salários dos professores da rede pública e a desmotivadora combinação: salas lotadas + condições de trabalho precárias.
Apesar disso, em minha opinião, nenhum fator é mais relevante que a direção escolar, ou melhor, a maneira que cada direção toma posse de seu cargo. Todo diretor ou diretora no Estado do Rio Grande do Sul é escolhido pelo voto. Voto de alunos, pais, funcionários e professores. Política dentro da escola não dá certo, só se for para politizar nossos jovens, mas isso nunca acontece. A política a que me refiro ocorre nos bastidores. É a política que defende o aluno indisciplinado e deixa o professor com as mãos atadas, frente à desobediência. É a política do voto. Para a direção um aluno não é aluno, ele é um voto. E esse aluno não tem pai e nem mãe e sim mais dois votos, que podem decidir a permanência de um diretor em seu cargo. E assim como profissional da educação me tornei refém do voto.
Engraçado! Eu votei em um governador, que deveria nomear um secretário de educação, e este nomear delegados e separá-los por região, e os mesmos deveriam escolher os diretores escolares, para que estes fossem subordinados a própria Secretaria e ao Governo do Estado.
Diretor de escola não é subordinado a ninguém. Foram eleitos pelos votos-aluno e votos-pais de alunos. Fazem de suas gestões “shows” de ingerências, abuso de autoridade e contribuição para o sucateamento do ensino público. Fazem da escola uma extensão de sua casa. Sentam-se na cadeira da direção e pensam:" -Essa é a minha escola." Beneficiam amigos, perseguem inimigos, torna o ambiente escolar o pior possível.
Mas por que eu não reclamo de tanta injustiça? Por que não exponho meus pensamentos para a direção da escola onde trabalho? Por que eu não coloco para fora tudo que machuca e abala minha estima?
Não sou covarde, nunca fui. Mas tenho uma filha que depende de mim e tenho uma mulher com quem divido as contas. Eu faço apenas o que posso, eu voto. Não como os votos-alunos, eu sou o voto-cidadão. Voto nos nossos governantes. Até hoje não deu certo, mas eu continuarei tentando, quem sabe um dia algum governante faça algo para mudar a educação.