sexta-feira, 5 de setembro de 2008










Muitas variáveis influenciam na desorganização escolar. O fim da estrutura familiar que reflete no comportamento de jovens e crianças, os péssimos salários dos professores da rede pública e a desmotivadora combinação: salas lotadas + condições de trabalho precárias.
Apesar disso, em minha opinião, nenhum fator é mais relevante que a direção escolar, ou melhor, a maneira que cada direção toma posse de seu cargo. Todo diretor ou diretora no Estado do Rio Grande do Sul é escolhido pelo voto. Voto de alunos, pais, funcionários e professores. Política dentro da escola não dá certo, só se for para politizar nossos jovens, mas isso nunca acontece. A política a que me refiro ocorre nos bastidores. É a política que defende o aluno indisciplinado e deixa o professor com as mãos atadas, frente à desobediência. É a política do voto. Para a direção um aluno não é aluno, ele é um voto. E esse aluno não tem pai e nem mãe e sim mais dois votos, que podem decidir a permanência de um diretor em seu cargo. E assim como profissional da educação me tornei refém do voto.
Engraçado! Eu votei em um governador, que deveria nomear um secretário de educação, e este nomear delegados e separá-los por região, e os mesmos deveriam escolher os diretores escolares, para que estes fossem subordinados a própria Secretaria e ao Governo do Estado.
Diretor de escola não é subordinado a ninguém. Foram eleitos pelos votos-aluno e votos-pais de alunos. Fazem de suas gestões “shows” de ingerências, abuso de autoridade e contribuição para o sucateamento do ensino público. Fazem da escola uma extensão de sua casa. Sentam-se na cadeira da direção e pensam:" -Essa é a minha escola." Beneficiam amigos, perseguem inimigos, torna o ambiente escolar o pior possível.
Mas por que eu não reclamo de tanta injustiça? Por que não exponho meus pensamentos para a direção da escola onde trabalho? Por que eu não coloco para fora tudo que machuca e abala minha estima?
Não sou covarde, nunca fui. Mas tenho uma filha que depende de mim e tenho uma mulher com quem divido as contas. Eu faço apenas o que posso, eu voto. Não como os votos-alunos, eu sou o voto-cidadão. Voto nos nossos governantes. Até hoje não deu certo, mas eu continuarei tentando, quem sabe um dia algum governante faça algo para mudar a educação.


Um comentário:

proalcioni disse...

Caro amigo, gostei de seu comentário sobre o uso de celulares na sala de aula, mas só podemos cobrar quando nós tbém cumprirmos com a regra e quanto a eleição de diretor de escola, sómente os diretores que se abraçam ao poder quando perdem uma eleição não executam as suas tarefas de educadores na sala de aula, pois se julgam melhores que o outro que assumiu. um abraço